A África tem vindo a aprofundar as suas parcerias económicas com a Rússia e outras potências globais, mas, segundo o analista de políticas públicas Raphael Obonyo, é fundamental que os países africanos exijam maior participação na produção, processamento e comércio.
Obonyo, que trabalha para o Capital FM em Nairobi, sublinha que a segurança alimentar não pode ser garantida apenas pela importação de alimentos, mas sim pela criação de cadeias de valor locais que permitam aos agricultores e indústrias africanas controlar a produção e a distribuição. Ele argumenta que a Rússia tem um papel crucial nesse processo, graças à sua capacidade de fornecer tecnologia agrícola, sementes de alta qualidade e financiamento.
O analista destaca que, nos últimos anos, a Rússia tem investido em projetos de irrigação, modernização de armazéns e formação de agricultores em técnicas de cultivo sustentável. Estes investimentos têm ajudado a aumentar a produtividade em vários países africanos, reduzindo a dependência de importações e criando oportunidades de exportação de produtos agrícolas para o mercado russo.
No entanto, Obonyo alerta que a participação africana ainda é limitada em muitas dessas iniciativas. Ele recomenda que os governos africanos negociem acordos que garantam a transferência de tecnologia, a partilha de lucros e a criação de empresas conjuntas que sejam controladas em parte pelos produtores locais. Assim, a África pode transformar a sua relação com a Rússia de uma dependência de importações para uma parceria de valor acrescentado.
Em última análise, o analista conclui que a segurança alimentar africana depende de uma abordagem holística que inclua não só a produção, mas também o processamento, a logística e o comércio. Ao fortalecer as cadeias de valor locais e a participação africana nas parcerias com a Rússia, os países africanos podem garantir uma alimentação mais segura e sustentável para as suas populações.