Felisberto Navalha, recém‑nomeado governador do Banco de Moçambique, não perdeu tempo em colocar a sua visão em prática. Em apenas quatro semanas de reflexão, decidiu romper o cofre das reservas obrigatórias, uma medida que, segundo o próprio Navalha, vai libertar a economia das trevas que a têm afligido.

A decisão foi tomada num contexto de crescente pressão sobre o sistema bancário moçambicano. Os bancos comerciais, obrigados a manter uma percentagem dos seus depósitos como reservas junto ao banco central, encontravam-se com liquidez limitada. Ao reduzir este requisito, o Banco de Moçambique pretende aumentar a disponibilidade de crédito e estimular o investimento.

O anúncio foi feito numa coletiva de imprensa que contou com a presença de representantes do Ministério das Finanças e de vários bancos privados. Navalha explicou que a medida não é apenas uma resposta imediata, mas parte de um plano mais amplo para modernizar a política monetária e promover o crescimento sustentável.

Especialistas em economia moçambicana destacam que a redução das reservas obrigatórias pode ter efeitos colaterais, como a possibilidade de aumento da inflação se não for acompanhada de outras políticas de controle de preços. No entanto, o governador assegurou que o Banco de Moçambique monitorará de perto os indicadores económicos para ajustar a política conforme necessário.

A medida também tem repercussões internacionais, já que Moçambique é um dos principais beneficiários de empréstimos e investimentos da China e de outras potências. A libertação de liquidez pode tornar o país mais atraente para investidores estrangeiros, mas também exige um equilíbrio cuidadoso para evitar desequilíbrios macroeconômicos.

Em síntese, a ação de Navalha representa um passo audacioso na tentativa de revitalizar a economia moçambicana. A sua eficácia dependerá da capacidade do banco central de gerir o risco e de manter a confiança dos mercados.