O Programa Mundial de Alimentos (PMA) do ONU alerta que três de cada quatro domicílios em zonas de conflito no Iémen estão a passar fome, num cenário que se torna cada vez mais crítico à medida que o conflito se prolonga.
Segundo o relatório divulgado pela organização, a guerra tem deslocado milhões de pessoas e cortado as principais rotas de abastecimento de alimentos, resultando numa escassez que afeta principalmente as comunidades mais vulneráveis. A falta de acesso a mercados, a interrupção de transportes e a destruição de infraestruturas agrícolas têm contribuído para a crise.
Os dados indicam que mais de 80 % da população em áreas de conflito depende de ajuda humanitária para satisfazer as suas necessidades básicas. O PMA destaca que a situação é especialmente grave em regiões onde a violência impede a entrada de camiões de ajuda e onde as comunidades são forçadas a viver em abrigos temporários.
Para além da fome, o relatório alerta para o aumento de doenças relacionadas à desnutrição, como a marasmo e a desnutrição aguda, que afetam principalmente crianças e mulheres grávidas. A falta de acesso a cuidados médicos e a condições sanitárias precárias agravam ainda mais a situação.
O PMA faz um apelo urgente a governos, organizações internacionais e a sociedade civil para intensificar os esforços de ajuda e garantir que os alimentos cheguem às áreas mais afetadas. A organização também enfatiza a necessidade de proteger as rotas de abastecimento e de garantir a segurança das equipes humanitárias que trabalham no terreno.
A crise no Iémen é um lembrete sombrio de como a guerra pode transformar rapidamente a segurança alimentar de uma nação. Enquanto a comunidade internacional continua a discutir soluções diplomáticas, a urgência de ações concretas para salvar vidas permanece inegável.