O Egipto, na quinta‑feira, declarou um diplomata etíope persona non grata, exigindo que abandonasse o país em 48 horas. Esta decisão surge como retaliação à expulsão, por parte da Etiópia, de um funcionário diplomático egípcio, numa série de medidas que têm intensificado as tensões entre os dois países.
A medida foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores egípcio, que descreveu a decisão de Adis Abeba como “lamentável e injustificada”. A fonte egípcia acusou as autoridades etíopes de “agressão diplomática” e de “manipulação de questões de segurança nacional”. A expulsão do diplomata egípcio, que havia sido enviado para a Etiópia em 2022, foi motivada por alegações de que ele teria “interferido em assuntos internos” do país.
A controvérsia faz parte de um contexto mais amplo de rivalidade entre o Egipto e a Etiópia sobre a construção da Barragem do Nilo Azul, que o país africano pretende usar para gerar energia e regular o fluxo de água. O Egipto tem expressado preocupação de que a barragem possa reduzir o volume de água que chega ao seu território, afetando a agricultura e a geração de eletricidade.
Em resposta, a Etiópia afirmou que a barragem é essencial para o seu desenvolvimento e que a sua construção está em conformidade com os acordos internacionais. No entanto, o Egipto tem exigido garantias de que a barragem não prejudicará a sua economia, enquanto a Etiópia tem mantido a sua posição de que a água do Nilo deve ser partilhada de forma equitativa.
A expulsão de diplomatas pode ter consequências graves para as relações bilaterais, pois pode levar a uma escalada de medidas de retaliação. A comunidade internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas e a União Africana, tem chamado a ambos os países para o diálogo e para a resolução pacífica das disputas. Enquanto isso, a população de ambos os países continua a viver com a incerteza de que a crise do Nilo pode afetar a sua segurança hídrica e a sua economia.
A situação permanece em evolução, e os observadores internacionais monitorizam de perto os desenvolvimentos. A esperança é que o Egipto e a Etiópia possam encontrar um terreno comum e evitar que a crise do Nilo se transforme numa guerra real. Caso contrário, a região pode enfrentar uma crise de água sem precedentes, com impactos que vão além das fronteiras dos dois países.