O filósofo Severino Ngoenha, catedrático de filosofia na Universidade de Maputo, fez uma declaração contundente durante o debate sobre cidadania e instituições que se realizou na capital. Ele argumentou que, quando o Governo deixa de desempenhar o seu papel de proteger os cidadãos e de prover recursos de forma equitativa, abre-se um espaço para a fragmentação da sociedade.
Segundo Ngoenha, a desigualdade social não é apenas uma questão de distribuição de riqueza, mas também de acesso a serviços essenciais como educação, saúde e segurança. Quando esses serviços são oferecidos de forma desigual, cria-se um abismo entre diferentes grupos sociais, alimentando ressentimentos e tensões que podem levar a conflitos.
O debate contou com a presença de académicos, estudantes e representantes da sociedade civil, que partilharam experiências e propostas para mitigar os efeitos da desigualdade. Entre as sugestões apresentadas, destacam-se a implementação de políticas públicas de redistribuição de renda, a criação de programas de formação profissional para áreas de menor acesso e o fortalecimento de mecanismos de participação cidadã.
Ngoenha enfatizou que a fragmentação social tem impactos negativos não só na coesão social, mas também na estabilidade política e no desenvolvimento económico. Ele citou exemplos de países onde a desigualdade elevada levou a protestos e a um aumento da criminalidade, mostrando que a falta de inclusão pode ser um fator de instabilidade.
Para concluir, o filósofo apelou a uma ação coletiva e coordenada, envolvendo o Governo, o sector privado e a sociedade civil, para criar um ambiente onde todos os cidadãos tenham oportunidades iguais. Ele destacou que a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva é um investimento no futuro do país, que beneficiará todas as camadas da população.