Moçambique pode perder mais de 12 mil filmes que documentam vários períodos da história do país. A informação foi partilhada, ontem, pelo Director-geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), que aponta a falta de condições para a digitalização e modernização do acervo nacional. Desde a era colonial, Moçambique sempre teve bons profissionais que registaram momentos cruciais da sua trajetória, mas a falta de investimento tem deixado esses materiais em risco.

A digitalização de filmes antigos é um processo complexo que requer equipamentos especializados, técnicos qualificados e, sobretudo, financiamento. Sem esses recursos, os filmes permanecem em estado de deterioração, expostos a fatores como umidade, calor e manipulação inadequada. O INICC alerta que, se não houver uma intervenção imediata, o acervo pode desaparecer para sempre, apagando valiosos testemunhos da história moçambicana.

Além da preservação física, a digitalização permite o acesso a uma audiência mais ampla. Plataformas digitais e bibliotecas virtuais podem tornar esses filmes disponíveis a estudantes, pesquisadores e ao público em geral, promovendo a educação e a cultura. No entanto, a falta de recursos impede a criação de tais plataformas, deixando o acervo inacessível e isolado.

O governo moçambicano tem sido criticado por não priorizar o financiamento cultural. Enquanto setores como a saúde e a educação recebem atenção, o património audiovisual permanece marginalizado. A comunidade internacional, incluindo organizações culturais e ONGs, tem sido chamada a colaborar, oferecendo apoio técnico e financeiro.

Para evitar a perda de memória, é essencial que o INICC desenvolva um plano estratégico de digitalização, com metas claras e prazos definidos. A parceria com instituições estrangeiras, a captação de fundos e a formação de profissionais locais são passos cruciais. Somente assim será possível preservar e difundir o rico património audiovisual de Moçambique para as gerações futuras.