Os arqueólogos que trabalham no sítio costeiro da Turquia anunciaram a descoberta de um naufrágio que pode ter 4.700 anos, data que o coloca na Primeira Idade do Bronze. O navio, que afundou em águas rasas, foi preservado em condições excepcionais, permitindo aos investigadores analisar detalhadamente a sua construção e os objetos a bordo.
A equipa, liderada pelo professor João Silva da Universidade de Lisboa, utilizou tecnologia de mapeamento 3D e sondagens sonar para mapear a estrutura do navio. Os resultados revelam um casco de madeira de carvalho, reforçado com vigas de bronze, um design que sugere uma nave de comércio ou de guerra. O navio estava carregado com cerâmicas, ferramentas de pedra e, surpreendentemente, amostras de tecidos que indicam um nível de sofisticação na produção têxtil.
O local da descoberta, situado a cerca de 30 quilómetros da cidade de Izmir, é de grande importância histórica. A região tem sido um ponto de encontro de civilizações desde a Idade do Bronze, e o naufrágio oferece uma janela única para entender as rotas comerciais e as trocas culturais que se desenvolviam na época. Os objetos recuperados incluem moedas de cobre, que podem ajudar a reconstituir a economia da época.
Os especialistas acreditam que o naufrágio pode ter sido causado por uma tempestade ou por um conflito naval. A análise de danos no casco sugere que o navio sofreu impactos significativos, mas não há sinais claros de batalha. No entanto, a presença de armas de bronze na carga indica que os tripulantes estavam preparados para possíveis confrontos.
Esta descoberta tem implicações significativas para a arqueologia marítima. A preservação do navio permite estudar técnicas de construção naval antigas e comparar com outras descobertas na região do Mediterrâneo. Além disso, o achado reforça a importância da Turquia como um ponto de ligação entre o Oriente e o Ocidente durante a Idade do Bronze.
