O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) anunciou nesta terça-feira que o país completou o seu primeiro ano sem rapto, um marco que, embora celebrável, é acompanhado de controvérsias e lacunas de informação. O comunicado oficial não apresenta estatísticas de casos de tentativas de rapto abortadas, nem indica o número de raptores detidos, nem sequer menciona a existência de mandantes identificados ou detidos nos últimos 12 meses. Esta ausência de dados concretos levanta questões sobre a real eficácia das medidas de segurança implementadas.
A falta de transparência no relatório do SERNIC pode ser interpretada como um sinal de que o órgão ainda não tem a capacidade de monitorizar e reportar adequadamente os incidentes de rapto. Enquanto o país celebra a ausência de rapto, a população e os especialistas em segurança pública pedem mais clareza e uma investigação mais rigorosa sobre quem está por trás desses crimes. Sem informações sobre os responsáveis, a confiança nas instituições de segurança pode ser prejudicada.
Além disso, a ausência de estatísticas sobre detidos e mandantes pode indicar que o SERNIC não conseguiu identificar nem prender os indivíduos que planeavam ou executaram os raptos. Se for esse o caso, a mensagem que se transmite é que, embora não haja ocorrências de rapto, o problema subjacente de criminalidade ainda persiste. A falta de dados impede que se avalie se as políticas de prevenção e investigação são eficazes ou se precisam de ajustes.
O relatório também não menciona se houve alguma mudança nas estratégias de patrulhamento, na formação de agentes ou na colaboração com outras agências de segurança. Sem esses detalhes, fica difícil determinar se o “primeiro ano sem rapto” é fruto de esforços coordenados ou simplesmente de um período de baixa incidência. A comunidade internacional, bem como os parceiros de cooperação, podem usar esta informação para avaliar a necessidade de apoio adicional.
Em suma, o SERNIC celebra um marco importante, mas a falta de dados concretos sobre detidos e mandantes deixa o país numa posição de incerteza. Para consolidar a segurança e a confiança pública, será essencial que o serviço forneça relatórios mais detalhados, inclua estatísticas claras e demonstre transparência nas investigações. Só assim Moçambique poderá garantir que o fim dos raptos seja um resultado duradouro e não apenas um número vazio.