Três técnicos do Hospital Provincial de Xai‑Xai foram detidos em flagrante, na noite desta sexta‑feira, a receber dinheiro de pacientes, num alegado esquema de cobranças ilícitas. Entre os detidos estão um técnico de laboratório, um anestesiologista e um agente de serviços.
O episódio ocorreu no bloco de urgências, onde os suspeitos supostamente exigiram pagamentos em espécie antes de prestar os serviços. De acordo com a polícia, os valores cobrados variavam entre 30 e 50 mil meticais, o que representou um golpe significativo para os pacientes que já enfrentam dificuldades económicas.
A polícia informou que a investigação está a ser conduzida pelo Departamento de Investigação Criminal do Ministério da Saúde, em colaboração com a Polícia Nacional. Foram recolhidos testemunhos de pacientes e de colegas de trabalho, bem como gravações de câmaras de vigilância que corroboram as alegações de extorsão.
O Hospital Provincial de Xai‑Xai, que presta cuidados a milhares de habitantes da província de Gaza, já se viu envolvido em outras controvérsias nos últimos anos, incluindo denúncias de falta de equipamentos e de má gestão de recursos. A administração do hospital afirmou que está a tomar medidas imediatas para garantir a transparência e a integridade dos serviços.
Os três técnicos foram presos e encaminhados para a delegacia de Xai‑Xai, onde serão interrogados e, se for o caso, processados. A polícia ainda não divulgou detalhes sobre as possíveis acusações, mas prevê que os envolvidos poderão enfrentar processos por corrupção, fraude e abuso de confiança.
A comunidade local reagiu com indignação, exigindo que as autoridades tomem medidas firmes para prevenir futuros abusos. Em um comunicado, a Associação de Pacientes de Gaza pediu uma investigação independente e a criação de um canal de denúncia anónimo para proteger quem denunciar irregularidades.
O caso destaca a necessidade de reforçar os mecanismos de controle interno nos hospitais públicos de Moçambique, onde a falta de recursos e a cultura de impunidade muitas vezes permitem que práticas corruptas prosperem. O Ministério da Saúde anunciou que irá revisar os protocolos de cobrança e implementar auditorias regulares para evitar que situações semelhantes se repitam.
Enquanto isso, a comunidade de Xai‑Xai aguarda respostas concretas e a responsabilização dos envolvidos, na esperança de que a confiança nos serviços de saúde seja restabelecida.