Os rebeldes do Front de Libertação Popular do Tigray (TPLF) abandonaram a capital regional de Mekelle, no norte da Etiópia, numa decisão que marca um ponto de viragem no conflito que tem assombrado o país desde 23 de setembro. Relatórios locais indicam que as tropas do TPLF, que têm lutado contra as forças federais e milícias pró-governo, foram forçadas a recuar devido ao avanço coordenado das tropas governamentais.

Mekelle, que já foi um símbolo de resistência para o TPLF, tornou-se agora um ponto de retirada estratégica. As forças pró-governo, apoiadas por unidades militares federais e milícias locais, avançaram rapidamente, pressionando os rebeldes a abandonar a cidade antes que a situação se agravasse. A decisão de recuar foi tomada em meio a relatos de intensos combates e a crescente pressão internacional para evitar uma escalada do conflito.

O TPLF, que tem sido acusado de atacar estados vizinhos, tem enfrentado críticas crescentes por sua postura agressiva. A guerra, que já causou milhares de mortes e deslocamentos, tem sido comparada à crise de 2020-2022, quando o país quase entrou em guerra civil total. A retirada de Mekelle pode sinalizar um ponto de inflexão, mas também levanta questões sobre a viabilidade de uma solução pacífica.

Os líderes do TPLF, agora em retirada, planeiam reorganizar suas forças em outras áreas do Tigray. Enquanto isso, as forças governamentais continuam a avançar, com o objetivo de consolidar o controle sobre a região e impedir que o conflito se espalhe para outras partes do país. A comunidade internacional observa de perto, com a ONU e a União Africana aclamando a necessidade de negociações.

Apesar da retirada, a situação permanece tensa. A população civil continua a sofrer com a violência e a falta de acesso a serviços básicos. A esperança de uma paz duradoura ainda parece distante, mas a retirada de Mekelle pode abrir espaço para um diálogo mais realista entre as partes envolvidas.