Moçambique e Malawi, dois países vizinhos da região sul‑africana, estão a discutir a intensificação da cooperação em matéria de defesa e segurança, numa tentativa de enfrentar as ameaças transfronteiriças que têm afetado a região.

A discussão, que se desenrolou na XVII Sessão da Comissão Conjunta Permanente, teve como foco principal a criação de mecanismos mais eficazes de coordenação entre as forças armadas e as agências de segurança de ambos os países. Os delegados destacaram a necessidade de partilhar informações em tempo real, de realizar exercícios conjuntos e de desenvolver protocolos de resposta rápida a incidentes.

Segundo o ministro da Defesa de Moçambique, o país tem registado um aumento de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas, que atravessam a fronteira com Malawi. O mesmo ministro apontou que a cooperação reforçada poderá reduzir o risco de conflitos e melhorar a segurança das comunidades locais.

Por sua vez, o representante de Malawi enfatizou a importância de proteger as populações que vivem nas zonas de fronteira, onde a vulnerabilidade é maior. Ele argumentou que a colaboração estreita com Moçambique permitirá uma resposta mais eficaz a situações de emergência, como desabamentos de minas terrestres e crises humanitárias.

O acordo proposto inclui a criação de uma força conjunta de patrulha, a implementação de sistemas de vigilância avançados e a realização de treinamentos cruzados para melhorar as capacidades operacionais de ambos os países. Se aprovado, o plano deverá ser implementado nos próximos seis meses, com o objetivo de reduzir em 30 % os incidentes transfronteiriços até ao final de 2027.

A iniciativa foi bem recebida pela comunidade internacional, que vê na cooperação regional um passo importante para a estabilidade da África Austral. Organizações como a União Africana e a ONU já manifestaram apoio e ofereceram recursos para a implementação do plano.