Nas últimas eleições de meio de mandato de 2026, os centros de dados, que há anos são considerados motores de crescimento económico e inovação, encontraram um terreno fértil de oposição. Em várias regiões, desde o sul de Portugal até à África do Sul, os eleitores rejeitaram projetos que prometiam criar empregos mas que, na prática, ameaçavam o meio‑ambiente e a qualidade de vida local.
Em Lisboa, por exemplo, a proposta de construir um grande centro de dados no bairro de Alvalade foi rejeitada por 68 % dos eleitores. A campanha de oposição destacou os impactos ambientais, como o consumo de água e energia, e a falta de transparência nas negociações com a empresa. Os resultados foram um claro sinal de que os cidadãos estão cada vez mais conscientes dos custos ecológicos de tecnologias que, de outra forma, seriam vistas como benéficas.
No continente africano, a situação foi ainda mais dramática. Em Lusaka, Zâmbia, a iniciativa de rezoneamento para permitir a construção de um centro de dados de grande escala foi rejeitada por 72 %. A comunidade local argumentou que o projeto não oferecia benefícios suficientes em termos de emprego e infraestrutura, e que o impacto ambiental seria demasiado elevado para o pequeno país.
Em nível nacional, os senadores que defendiam a expansão de centros de dados foram derrotados em 15 dos 20 distritos onde foram concorridos. A maioria dos eleitores citou preocupações sobre a segurança dos dados, a privacidade e o impacto das grandes corporações tecnológicas na economia local. O resultado indica uma mudança de paradigma, onde a tecnologia não é mais vista apenas como um motor de crescimento, mas também como um potencial risco.
O que este resultado significa para o futuro da tecnologia em Moçambique e em outros países? Em primeiro lugar, os investidores deverão repensar a forma como apresentam os seus projetos, incorporando medidas de sustentabilidade e transparência. Em segundo lugar, os governos precisarão de criar políticas que equilibrem o desenvolvimento tecnológico com a proteção ambiental e a participação comunitária. Por fim, os eleitores demonstraram que a opinião pública pode ser decisiva, e que a tecnologia deve ser desenvolvida de forma responsável e inclusiva.
