O ex‑presidente Hugo Machado, laureado com o Prémio Nobel de Paz em 2023, chegou a Caracas depois de quase duas décadas de exílio, numa visita que marcou o início de uma nova fase na sua carreira política. Durante o seu discurso, o líder venezuelano elogiou o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por defender o conceito de ‘liberdade’ e criticou a controvérsia que envolve o acordo petrolífero entre a Venezuela e a empresa americana Chevron.
Machado, que foi detido em 2017 e libertado em 2020, afirmou que a Venezuela precisa de um processo democrático que permita a escolha livre dos seus representantes. “O povo venezuelano tem o direito de decidir quem o governa”, declarou, citando a necessidade de eleições em 2027, quando o atual regime deverá terminar o seu mandato. O ex‑presidente também pediu que a comunidade internacional apoie a realização de eleições livres e justas, sem interferência externa.
O acordo petrolífero com a Chevron, que foi anunciado em 2022, tem sido alvo de críticas por parte de vários setores da sociedade venezuelana. Machado argumentou que o contrato favorece os interesses dos EUA e que a Venezuela deve buscar parcerias mais equilibradas. “Não podemos aceitar que a nossa riqueza natural seja explorada em benefício de potências estrangeiras”, disse, apelando a uma política de soberania energética.
Além disso, o ex‑presidente destacou a importância de uma reforma institucional que garanta a independência dos tribunais e a proteção dos direitos humanos. Ele pediu que o governo atual implemente medidas que assegurem a liberdade de imprensa e a participação dos cidadãos nas decisões políticas. Machado também criticou a política de sanções impostas pelos EUA, argumentando que estas têm prejudicado a economia venezuelana e a população.
Por fim, o ex‑presidente concluiu com um chamado à unidade nacional: “Somos um povo forte e resiliente. Se trabalharmos juntos, podemos reconstruir a Venezuela e garantir um futuro de paz e prosperidade para as próximas gerações”. A sua visita foi recebida com entusiasmo por parte de vários grupos políticos e da sociedade civil, que esperam que o seu retorno possa impulsionar um processo de diálogo e reconciliação no país.