O economista Júlio Saramala, em entrevista ao jornal *País Económico*, alertou que Moçambique corre o risco de enfrentar crises recorrentes no abastecimento de combustíveis, resultado de desequilíbrios no mercado interno e da forte dependência de importações.

Saramala explicou que a volatilidade dos preços internacionais, combinada com a falta de capacidade de produção local, cria um cenário de vulnerabilidade. Quando os preços de petróleo aumentam no mercado global, os importadores moçambicanos são forçados a repassar o custo aos consumidores, provocando surtos de preços e, em alguns casos, rupturas temporárias no abastecimento.

O economista destacou ainda que a infraestrutura de distribuição, embora em melhor estado nos últimos anos, ainda apresenta fragilidades que podem agravar a situação. A falta de manutenção adequada das oleodutos e a escassez de postos de abastecimento em áreas rurais são fatores que contribuem para a instabilidade.

Para enfrentar o problema, Saramala recomenda que o Governo identifique as causas subjacentes e adote medidas preventivas. Entre as propostas, ele sugere a diversificação das fontes de importação, a criação de reservas estratégicas de combustíveis e o incentivo à produção local de biocombustíveis. Além disso, propõe a revisão das políticas de regulação de preços para evitar especulação e garantir preços justos.

O economista conclui que a cooperação internacional, especialmente com países vizinhos que possuem capacidade de produção, pode ser uma solução viável. Ele ressalta que a estabilidade no abastecimento de combustíveis é fundamental para a economia moçambicana, pois afeta diretamente o transporte, a indústria e o consumo doméstico. A sua mensagem final é clara: a prevenção e a ação proativa são essenciais para evitar crises que possam comprometer o desenvolvimento do país.