O governador da província de Zambézia, Pio Matos, fez um discurso contundente perante um grupo de professores e funcionários públicos durante um jantar de confraternização, defendendo a devolução do subsídio de localização que foi retirado no âmbito da implementação da Tabela Salarial Única (TSU). Ele argumentou que a retirada do subsídio, que cobria despesas de deslocação e alojamento, tem causado um impacto negativo na moral e na produtividade dos servidores.

Matos destacou que o subsídio de localização era um componente vital do pacote salarial, especialmente para aqueles que trabalham em áreas rurais ou de difícil acesso. “Sem este subsídio, muitos dos nossos servidores têm de arcar com custos que não deveriam ser do seu próprio bolso”, afirmou. Ele acrescentou que a retirada do subsídio não apenas afeta a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também pode levar a uma diminuição na eficiência e na qualidade dos serviços prestados à população.

O governador também citou dados de pesquisas internas que mostraram um aumento de 15 % nas reclamações de funcionários sobre despesas de deslocação. “Os números falam por si mesmos”, disse Matos. Ele pediu ao governo nacional que reconsidere a decisão e reintroduza o subsídio, alegando que a medida seria uma forma de reconhecer o esforço e a dedicação dos servidores públicos.

Além disso, Matos enfatizou a importância de manter a dignidade dos trabalhadores do Estado. “A dignidade não é apenas um conceito abstrato; é algo que se reflete nas condições de trabalho e no reconhecimento que damos aos nossos servidores”, explicou. Ele apelou a uma abordagem mais humana e justa na formulação de políticas salariais, sugerindo que a TSU deveria ser revista para incluir mecanismos de compensação adequados.

O discurso de Matos foi bem recebido pelos presentes, que expressaram apoio à sua posição. No entanto, o governo central ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a questão. Enquanto isso, o governador da Zambézia continua a pressionar por uma solução que beneficie os funcionários públicos e garanta a continuidade dos serviços essenciais à comunidade.

O debate sobre o subsídio de localização reflete uma tendência mais ampla em Moçambique, onde vários setores do serviço público têm questionado as recentes reformas salariais. A discussão continua a evoluir, e a comunidade internacional observa atentamente as decisões que serão tomadas nas próximas semanas.