À medida que a África pondera como alimentar as suas indústrias e ampliar o acesso à eletricidade, a água emerge como elemento central na discussão sobre a transição energética.

Antes da COP31, o Dr Jonty Cogger e Paul Wani Lado, ambos com experiência na África do Sul, destacam que a transição para fontes de energia mais limpas não pode ignorar os impactos sobre os recursos hídricos. Eles argumentam que qualquer investimento em combustíveis fósseis deve ser rigorosamente testado contra as suas demandas de água, pois a escassez hídrica já afeta milhões de africanos.

Na África do Sul, a produção de energia a partir de carvão tem sido tradicionalmente intensiva em água, exigindo milhões de litros por megawatt produzido. Este consumo elevado coloca em risco a disponibilidade de água para uso doméstico, agrícola e industrial, especialmente em regiões que já enfrentam secas frequentes. Cogger e Lado sugerem que a avaliação de projetos deve incluir métricas de consumo hídrico, garantindo que os benefícios energéticos não venham à custa das comunidades locais.

Além disso, a transição energética deve considerar a diversificação de fontes renováveis que demandam menos água, como a solar e a eólica. A África possui vastos recursos solares, e a expansão destas tecnologias pode reduzir a pressão sobre os recursos hídricos, ao mesmo tempo que cria empregos e impulsiona o crescimento económico. No entanto, a implementação deve ser acompanhada de políticas de gestão sustentável da água, para evitar que novas infraestruturas energéticas sobrecarreguem os ecossistemas.

Em última análise, a proposta de Cogger e Lado destaca a necessidade de uma abordagem holística que integre energia, água e desenvolvimento social. A transição energética justa deve proteger as comunidades que dependem da água, assegurando que o acesso à eletricidade não se traduza em escassez hídrica. Este equilíbrio é crucial para garantir um futuro sustentável e equitativo para toda a África.