Na última segunda‑feira, tive a oportunidade de participar, na qualidade de jornalista ao serviço do Grupo Soico, nas cerimónias do 40.º aniversário da tragédia de Mbuzini, que vitimou mortalmente o primeiro Presidente da República de Moçambique, Samora Machel, e parte da sua comitiva. O desastre ocorreu a 19 de Outubro de 1986, quando o avião da Air Rhodesia, a 27ª aeronave da companhia, caiu a poucos metros do aeroporto de Mbuzini, na província de Gaza, em território sul‑africano. O acidente deixou 18 mortos, entre eles o Presidente e vários altos funcionários do governo moçambicano.

O local da tragédia, hoje conhecido como “Ponto de Memória de Mbuzini”, foi palco de uma cerimónia que contou com a presença de autoridades moçambicanas, sul‑africanas e de vários países que mantêm laços históricos com Moçambique. O presidente da República, Filipe Nyusi, fez um discurso emotivo, lembrando a importância da memória coletiva e a necessidade de manter viva a lição que a tragédia ensinou sobre a fragilidade da vida e a urgência de um futuro de paz e estabilidade.

Durante a cerimónia, foram lançadas velas e flores em homenagem aos que perderam a vida. A presença de familiares de Machel, bem como de ex‑militares e diplomatas que participaram da viagem, trouxe um tom de reverência e de solidariedade. A multidão, composta por milhares de moçambicanos, demonstrou a força da memória nacional e a vontade de não deixar que o passado seja esquecido.

Apesar das homenagens, a tragédia continua a suscitar perguntas sem resposta. Há quem acredite que a investigação oficial não foi suficientemente transparente e que fatores políticos e militares podem ter influenciado o acidente. Em 2023, o Ministério da Justiça moçambicano anunciou a abertura de uma nova investigação, com o objetivo de esclarecer os detalhes do acidente e de garantir que a verdade seja finalmente revelada.

O evento também serviu como plataforma para discutir o futuro da aviação civil em Moçambique, bem como a necessidade de modernizar a infraestrutura aeroportuária do país. O ministro da Infra‑estrutura, José de Matos, anunciou planos de investimento em novos aeroportos e na formação de pilotos, com o objetivo de evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.

Em suma, o 40.º aniversário da tragédia de Mbuzini foi um momento de reflexão profunda, de homenagem e de questionamento. A memória de Samora Machel permanece viva na consciência coletiva de Moçambique, enquanto o país continua a lutar por justiça, transparência e um futuro mais seguro.