A Agência das Nações Unidas de Refugiados (UNHCR) revelou nesta sexta-feira que quase 90 milhões de pessoas deslocadas forçosamente – cerca de três quartos do total global – vivem em países que são altamente vulneráveis a perigos climáticos. A informação foi divulgada com o objetivo de chamar a atenção para a necessidade de ação antes da COP31, que terá lugar na Turquia.
Segundo o relatório, secas, inundações e ondas de calor extremo estão a tornar cada vez mais difícil encontrar soluções duradouras para os deslocados. Em muitos casos, a falta de recursos e a instabilidade política tornam a recuperação ainda mais complicada, enquanto o clima exacerba as condições já precárias.
A ONU destaca que o deslocamento forçado já é um problema global, mas que a mudança climática está a transformar a natureza e a escala desse fenómeno. Países como o Sudão, o Mali e a República Democrática do Congo, que já enfrentam crises humanitárias, agora também têm de lidar com eventos climáticos extremos que deslocam ainda mais as populações.
Para enfrentar este desafio, a agência pede que os governos e a comunidade internacional intensifiquem os esforços de adaptação e mitigação. Isso inclui a construção de infraestruturas resilientes, o acesso a recursos hídricos e a implementação de políticas de gestão de risco que protejam as comunidades mais vulneráveis.
A COP31 será um momento crucial para discutir estratégias concretas. A ONU espera que os líderes mundiais se comprometam a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a investir em projetos que protejam os deslocados e as comunidades afetadas pelo clima. Se não houver ação, o número de deslocados climáticos pode continuar a crescer, agravando ainda mais a crise global.
