Noémia de Sousa, nascida em 1924, continua a ser uma figura central na literatura moçambicana, e o seu centenário tem sido marcado por uma série de iniciativas que celebram a sua obra e a sua influência cultural. Em Maputo, a cidade tem acolhido eventos que vão desde a leitura de poemas até a apresentação de exposições de fotografias que ilustram momentos-chave da vida da escritora.
Um dos destaques foi o lançamento da biografia literária de Nelson Saúte, que oferece uma visão aprofundada da relação entre Saúte e Noémia de Sousa. A obra, escrita por um historiador literário, explora não só a vida pessoal da autora, mas também o contexto histórico em que se desenvolveu a sua escrita, destacando a sua ligação com o movimento de resistência e a sua contribuição para a identidade cultural moçambicana.
A Conferência Internacional “Centenário de Noémia de Sousa: Vozes da Memória” reuniu estudiosos, poetas e leitores de todo o continente africano. Durante os três dias de debates, foram discutidos temas como a influência da poesia de Noémia na literatura contemporânea, a preservação de textos antigos e a importância da investigação académica na AEMO (Academia de Estudos Moçambicanos). A conferência também contou com sessões de leitura em que os participantes tiveram a oportunidade de ouvir excertos das obras mais emblemáticas da autora.
Além das atividades literárias, a AEMO lançou uma série de projetos de investigação que visam documentar e analisar a obra de Noémia de Sousa. Entre eles, destaca-se o projeto de digitalização de manuscritos originais, que permitirá que estudantes e pesquisadores acessem textos inéditos em formato digital. Este esforço reflete a crescente preocupação com a preservação do património literário moçambicano e a sua disponibilização para as gerações futuras.
Em suma, o centenário de Noémia de Sousa não só celebra a sua contribuição para a literatura, mas também reforça a importância da memória coletiva e da investigação académica. A combinação de eventos culturais, biografia e projetos de pesquisa demonstra o compromisso de Moçambique em manter viva a herança literária do país, inspirando novos leitores e estudiosos a explorar as riquezas da sua cultura.