Moçambique conta actualmente com cerca de 40 médicos psiquiatras, número que continua a ser insuficiente para responder às necessidades da população na área da saúde mental. A informação foi avançada por uma profissional da área, que reconhece progressos na expansão dos serviços, mas admite que o país ainda está longe de alcançar uma cobertura universal.
O número de psiquiatras no país, estimado em apenas 40 profissionais, representa uma fração mínima do que seria necessário para atender a uma população de mais de 30 milhões de habitantes. Este cenário coloca Moçambique entre os países africanos com menor densidade de profissionais de saúde mental, o que dificulta a prestação de cuidados adequados a quem sofre de transtornos psicológicos e psiquiátricos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de psiquiatras por 100.000 habitantes em Moçambique é inferior a 0,5, muito abaixo da média recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este déficit se reflete em longas listas de espera, falta de especialização em áreas críticas como saúde mental infantil e em serviços de apoio a vítimas de violência doméstica.
Apesar das limitações, o país tem feito esforços para melhorar a situação. Em 2023, foram lançados programas de formação de residentes em psiquiatria em universidades locais, e a parceria com organizações internacionais tem permitido a introdução de tecnologias de telepsiquiatria, que podem ampliar o alcance dos serviços em zonas rurais.
Para que Moçambique avance rumo a uma cobertura universal, será necessário aumentar o número de profissionais, melhorar a infraestrutura de hospitais e centros de saúde mental, e promover campanhas de sensibilização para reduzir o estigma associado às doenças mentais. Somente assim o país poderá garantir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde mental de qualidade e oportunos.