Moçambique tem registado avanços significativos na luta contra o tráfico de pessoas, com o número de vítimas identificadas duplicando entre 2024 e 2025, de acordo com dados do Departamento de Estado norte‑americano. Este aumento, embora preocupante, reflete também uma maior capacidade de detecção e denúncia, graças a campanhas de sensibilização e a uma colaboração mais estreita entre as autoridades locais e organizações não governamentais.

Em 2025, o país intensificou as investigações e as acusações, resultando num aumento de 30 % nas prisões de traficantes. Contudo, o relatório anual de 2026 aponta que Moçambique ainda não cumpre os padrões mínimos de protecção previstos pela Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico de Pessoas. A falta de recursos, a corrupção e a insuficiência de formação para agentes de aplicação da lei são citadas como principais obstáculos.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou recentemente a criação de um centro de apoio às vítimas, que oferecerá serviços de saúde, aconselhamento psicológico e assistência jurídica. Este centro, que deverá abrir em 2027, é visto como um passo crucial para garantir que as vítimas recebam o suporte necessário e possam reintegrar‑se na sociedade.

Apesar dos esforços, o país continua a enfrentar desafios estruturais. A legislação atual não prevê penas suficientemente severas para os traficantes, o que dificulta a dissuasão. Além disso, a falta de mecanismos eficazes de rastreamento de vítimas em zonas rurais impede uma resposta rápida e coordenada.

Para avançar, especialistas recomendam a revisão das leis de tráfico, a implementação de programas de formação contínua para policiais e a criação de uma rede de apoio interinstitucional que inclua saúde, educação e assistência social. A colaboração internacional, especialmente com países vizinhos, será essencial para combater o tráfico transfronteiriço e garantir que Moçambique possa cumprir plenamente os padrões internacionais de protecção das vítimas.