A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em conjunto com parceiros nacionais e internacionais, anunciou que desde 2017 conseguiu mobilizar 47 milhões de meticais para a conservação da biodiversidade em Moçambique. O valor foi recolhido principalmente através do Cartão bio, um mecanismo de financiamento que incentiva a compra de produtos sustentáveis e destina parte das receitas a projetos ambientais.

Durante a cerimónia realizada na capital, em 15 de outubro, o presidente da BIOFUND, Dr. José M. Silva, destacou que cerca de 33 milhões de meticais foram especificamente alocados para financiar iniciativas de conservação e desenvolvimento comunitário. Entre os projetos financiados estão programas de restauração de manguezais, monitorização de espécies ameaçadas e capacitação de comunidades ribeirinhas para práticas agrícolas sustentáveis.

O Cartão bio, que tem sido um instrumento-chave na estratégia de financiamento da biodiversidade, funciona de forma semelhante a um cartão de crédito, mas com a particularidade de que parte do valor gasto pelos consumidores é revertida para projetos de conservação. Este modelo de financiamento tem sido replicado em vários países da África, mas Moçambique tem se destacado pela sua capacidade de integrar diferentes atores – desde ONGs até o setor privado – num esforço conjunto.

Além dos benefícios ambientais, os projetos financiados também têm impactos sociais significativos. A BIOFUND afirmou que, em áreas onde foram implementadas as iniciativas, a qualidade de vida das comunidades locais melhorou, graças ao acesso a recursos naturais mais sustentáveis e à criação de oportunidades de emprego em atividades de conservação e ecoturismo.

O anúncio do montante mobilizado reforça o compromisso de Moçambique com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em particular o ODS 14 – Vida na Água – e o ODS 15 – Vida Terrestre. O governo, em parceria com a BIOFUND, pretende continuar a expandir o Cartão bio e a atrair mais investimentos privados para garantir a proteção a longo prazo da rica biodiversidade moçambicana.

O evento contou com a presença de representantes de organizações internacionais, como a World Wildlife Fund (WWF) e a Conservation International, que elogiaram a iniciativa como um modelo de financiamento inovador e replicável em outras nações da região. A expectativa é que, nos próximos anos, o Cartão bio possa alcançar ainda mais comunidades e ampliar a cobertura de áreas protegidas em Moçambique.

Para além do aspecto ambiental, a iniciativa também tem um forte componente de desenvolvimento sustentável, alinhado com a estratégia nacional de desenvolvimento de 2025-2030. A BIOFUND planeia, portanto, continuar a monitorizar e avaliar o impacto dos projetos, garantindo transparência e eficácia na utilização dos recursos.