Um tribunal em Mombasa, na Tanzânia, divulgou na segunda-feira um veredicto que condenou um pregador queniano autoproclamado e vários de seus associados a 191 mortes, a maioria de crianças, num infame culto da fome.
O julgamento, que durou mais de três anos, teve início em 2021, quando as autoridades quenianas e tanzanianas começaram a investigar a seita que operava na região interior do país, perto de um balneário remoto. A investigação revelou centenas de corpos enterrados em túneis subterrâneos, muitos deles crianças que desapareceram sem deixar rastros.
O líder da seita, identificado como John Mwangi, alegava ser um profeta enviado para salvar a comunidade de uma “fome espiritual”. No entanto, os investigadores descobriram que ele e seus seguidores mantinham os membros em condições de extrema privação, forçando-os a trabalhar em condições desumanas e, em muitos casos, a morrer de fome ou de doenças não tratadas.
O tribunal, composto por juízes tanzanianos e quenianos, concluiu que Mwangi e pelo menos cinco outros membros da seita foram diretamente responsáveis pelas mortes. A sentença inclui penas de prisão de 20 a 30 anos, além de multas significativas. A decisão foi recebida com alívio pelas famílias das vítimas, que esperavam justiça há anos.
Este caso destaca a necessidade de maior vigilância sobre cultos e organizações religiosas que operam em áreas remotas. As autoridades quenianas e tanzanianas anunciaram planos para reforçar a cooperação transfronteiriça e criar programas de educação comunitária para prevenir futuros abusos. O veredicto também serve como um alerta para outras nações africanas sobre os perigos de cultos que prometem soluções milagrosas a problemas sociais complexos.