Ian McEwan, laureado com o Prémio Booker, sentou-se recentemente com a jornalista Olivia Salazar‑Winspear para falar sobre o futuro que descreve no seu mais recente romance, "O que Podemos Saber", que agora está a ser traduzido para o francês. O livro projeta uma sociedade do século XXII, onde a maioria das capitais do século XXI já não existe mais, submersas nas águas que se elevaram com a mudança climática. McEwan descreve um mundo em que a tecnologia avançou a tal ponto que a memória coletiva pode ser manipulada, mas a realidade física continua a ser brutal e imprevisível.
Durante a entrevista, o autor revelou que a ideia de um "desarranjo" surgiu da sua preocupação com a fragilidade dos sistemas políticos e económicos que sustentam a nossa civilização. Ele explica que o termo faz referência a uma ruptura profunda nas estruturas sociais, que pode ser provocada por catástrofes naturais, crises económicas ou revoluções tecnológicas. Para McEwan, o século XXII será marcado por uma nova forma de governança, onde a inteligência artificial desempenhará um papel central na tomada de decisões.
A discussão também abordou a importância de reconhecer que a crise climática não é apenas um problema ambiental, mas um desafio que afeta todas as esferas da vida humana. O autor destaca que, embora a tecnologia possa oferecer soluções, a mudança de mentalidade e a capacidade de adaptação são igualmente cruciais. Ele cita exemplos de comunidades que já estão a reconstruir as suas cidades sobre plataformas flutuantes, demonstrando que a resiliência humana pode superar até mesmo os maiores obstáculos.
McEwan conclui que a literatura tem um papel vital na preparação da sociedade para o futuro. Ao criar personagens que enfrentam dilemas éticos e morais, o romance convida os leitores a refletir sobre as escolhas que farão no século XXII. A sua mensagem é clara: a nossa capacidade de conhecer e compreender o mundo que nos rodeia será a chave para sobreviver e prosperar num futuro incerto.
Em suma, "O que Podemos Saber" não é apenas uma obra de ficção, mas um convite à reflexão sobre a nossa relação com a natureza, a tecnologia e a própria existência. A sua tradução para o francês amplia o alcance da mensagem, permitindo que mais leitores europeus e africanos se envolvam com os temas que definem o nosso tempo.
