O Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional (GCCCOT), órgão do Ministério Público moçambicano, anunciou no último sábado que está a investigar um esquema fraudulento de saque de dinheiro em contas bancárias inactivas num banco comercial de grande porte. De acordo com o comunicado de imprensa, a investigação aponta para a participação de funcionários da referida instituição, que teriam autorizado a retirada de fundos de contas que, segundo a lei, deveriam permanecer inactivas.

A operação, que já conta com a colaboração de várias delegações policiais, tem como objetivo identificar os responsáveis e recuperar os valores subtraídos. O GCCCOT afirmou que o esquema envolveu a alteração de dados de contas, permitindo que os funcionários autorizassem saques sem a devida autorização dos titulares. A investigação também analisa possíveis ligações com outras redes de criminalidade organizada, já que o esquema parece ter sido coordenado a nível nacional.

O banco comercial, que não divulgou ainda uma declaração oficial, tem sido alvo de críticas por parte de consumidores e de entidades reguladoras. Em resposta, a instituição alegou que está a cooperar plenamente com as autoridades e que já implementou medidas de reforço de segurança para evitar que situações semelhantes se repitam. No entanto, a falta de transparência sobre os detalhes do caso tem gerado desconfiança entre os clientes.

Segundo especialistas em segurança bancária, o uso de contas inactivas como alvo de fraudes não é incomum em mercados emergentes. A falta de monitorização adequada e a dependência de processos manuais podem criar brechas que criminosos exploram. O GCCCOT, portanto, está a analisar não só as ações individuais dos funcionários, mas também a estrutura de controlo interno do banco, a fim de determinar se houve negligência institucional.

A investigação tem implicações significativas para o setor financeiro moçambicano. Se confirmada a participação de funcionários em atividades ilícitas, o caso poderá levar a reformas regulatórias mais rigorosas e a uma revisão das práticas de gestão de risco. Enquanto isso, o GCCCOT continua a recolher provas e a entrevistar testemunhas, com o objetivo de apresentar um relatório completo no próximo trimestre. A população, por sua vez, aguarda respostas claras e a restituição dos valores perdidos, numa altura em que a confiança no sistema bancário está em jogo.