Richard Bronson, ex‑parceiro da famosa corretora Stratton Oakmont, tornou‑se um nome conhecido não só pelo seu passado no mundo dos valores mobiliários, mas também pela sua nova missão social. Depois de cumprir uma pena de prisão federal por violações de valores, Bronson decidiu usar a sua experiência e recursos para criar o Commissary Club, uma plataforma que combina inteligência artificial com serviços de apoio a ex‑prisioneiros.
O Commissary Club foi concebido com a ideia de preencher lacunas que, até agora, têm sido negligenciadas pelos sistemas de reintegração. A IA da plataforma analisa o histórico profissional, as competências e as necessidades individuais de cada utilizador, sugerindo oportunidades de emprego que se alinhem com as suas qualificações e com o mercado local. Além disso, o serviço oferece orientação na procura de habitação, na construção de redes de apoio e até na procura de parceiros para encontros, reconhecendo que a reintegração social vai muito além do simples retorno ao trabalho.
Bronson explica que a sua motivação surgiu de uma experiência pessoal: “Quando saí da prisão, senti que o mundo fora de lá era um labirinto. Não havia ninguém a dizer-me onde procurar emprego, como encontrar um lar ou quem poderia ser um amigo de confiança.” Assim, o Commissary Club pretende ser um “guia” completo, oferecendo desde currículos personalizados até sessões de coaching em entrevistas. A IA também ajuda a identificar programas de formação e certificação que podem melhorar as perspetivas de emprego dos usuários.
A startup tem vindo a atrair atenção de investidores que partilham a visão de Bronson de que a inclusão social pode ser impulsionada por tecnologia. Em 2024, a empresa recebeu um investimento de 2 milhões de euros de um fundo de impacto social, que permitirá expandir a plataforma para outras regiões de Portugal e, futuramente, para a África. A equipa de desenvolvimento já está a trabalhar numa interface mais intuitiva, com foco na acessibilidade e na privacidade dos dados.
Apesar dos desafios, o Commissary Club já registou resultados promissores. Em um piloto de três meses, 70 % dos participantes conseguiram um emprego, 55 % encontraram habitação e 30 % relataram sentir-se parte de uma comunidade. Bronson conclui que, com o apoio certo, ex‑prisioneiros podem não só reabilitar-se, mas também contribuir significativamente para a economia e a sociedade.
O projeto de Bronson destaca a importância de abordagens inovadoras na reintegração social e mostra que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na construção de oportunidades para quem mais precisa.