A Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas afirmaram que mataram cerca de 700 combatentes houthis em apenas 24 horas, no âmbito de uma ofensiva para recuperar território perdido no leste do país. O anúncio foi feito num contexto de intensificação dos combates, com a utilização de artilharia pesada, ataques aéreos e operações de assalto em zonas estratégicas. As autoridades de Sanaa, controladas pelos rebeldes, não confirmaram imediatamente o número de baixas, mas alertaram para uma escalada que pode agravar a crise humanitária.

Segundo o Ministério da Defesa iemenita, as operações concentraram-se em posições defensivas dos houthis em áreas montanhosas e em corredores de abastecimento que ligavam os bastiões rebeldes a rotas de apoio. O exército disse ter destruído veículos blindados, depósitos de munições e infraestruturas de comando, enquanto as tropas avançavam para pontos considerados vitais para a segurança das cidades vizinhas. A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo reconhecido internacionalmente, afirmou que os ataques foram precisos e que o objetivo era neutralizar ameaças iminentes.

Os houthis, que controlam grande parte do território iemenita, incluindo a capital Sanaa, negaram a perda de centenas de combatentes e acusaram as forças governamentais de exagrar os resultados militares para ganhar vantagem política. Fontes rebeldes disseram que as tropas sofreram perdas significativas e que os ataques aéreos atingiram também zonas civis, o que provocou deslocamentos e danos em infraestruturas essenciais. A Organização das Nações Unidas apelou a todas as partes para que respeitem o direito internacional humanitário e permitam o acesso de ajuda humanitária às populações mais vulneráveis.

A escalada ocorre num momento em que o Iémén enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões de pessoas dependentes de assistência alimentar, médica e de água potável. A guerra, que começou em 2015, opõe os houthis, apoiados pelo Irão, ao governo reconhecido internacionalmente, com o apoio da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Apesar de vários acordos de cessar-fogo e negociações mediadas pela ONU, os combates continuam a interromper a entrega de ajuda, a afetar hospitais e a aumentar o risco de fome e de surtos de doenças.

Analistas sublinham que a retórica militar pode dificultar a retomada de um processo político duradouro, sobretudo se as partes não aceitarem garantias verificáveis para a segurança das populações. A comunidade internacional observa com preocupação a possibilidade de novos ataques em áreas densamente povoadas e a degradação dos serviços públicos. Para os analistas, a única saída sustentável passa por uma trégua abrangente, pela libertação de prisioneiros, pela reabertura de rotas comerciais e por um diálogo inclusivo que permita reconstruir o Estado iemenita.