A província de Sofala, situada no centro-sul de Moçambique, está a preparar-se para uma das épocas chuvosas mais severas da sua história recente. De acordo com o plano de contingência aprovado na primeira reunião do Comité Operativo de Emergência (COE) nesta segunda-feira, cerca de 439 mil pessoas poderão ser afetadas pela estação chuvosa e ciclónica 2026/27.
O número, que surge a partir de uma análise detalhada dos padrões climáticos e das vulnerabilidades locais, foi apresentado pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) em Sofala, Aristides Armando. Ele destacou que a combinação de chuvas intensas, ventos fortes e a possibilidade de ciclones pode resultar em inundações generalizadas, deslizamentos de terra e danos significativos à infraestrutura.
Para enfrentar esta ameaça, o COE aprovou um orçamento de 43 milhões de meticais, que será destinado a várias medidas de mitigação. Entre elas, a construção de diques temporários, a reforço de barragens existentes, a criação de zonas de retenção de água e a implementação de sistemas de alerta precoce. Além disso, serão mobilizados recursos humanos e equipamentos de resgate, com foco especial nas comunidades mais vulneráveis.
A população de Sofala, que já enfrenta desafios económicos e de saúde, deverá estar preparada para possíveis deslocamentos temporários. O INGD, em colaboração com organizações não governamentais e a comunidade internacional, planeia distribuir kits de emergência, alimentos não perecíveis e água potável. A coordenação com as autoridades locais garantirá que os serviços de saúde estejam prontos para lidar com doenças transmitidas pela água e com lesões decorrentes de desastres naturais.
O governo moçambicano reforça a importância da cooperação entre os diferentes níveis de governo e a sociedade civil. A comunicação clara e o envolvimento da comunidade são considerados cruciais para reduzir o impacto social e económico. O INGD também está a trabalhar na atualização dos mapas de risco e na formação de voluntários locais, para que possam responder rapidamente a situações de emergência.
Em resumo, a previsão de 439 mil pessoas afetadas sublinha a necessidade de uma resposta coordenada e eficaz. A combinação de recursos financeiros, técnicos e humanos será essencial para proteger a vida e a propriedade, bem como para garantir a recuperação rápida das áreas mais afetadas.