A Lina Attalah, editora-chefe da Mada Masr, uma das principais plataformas de notícias independentes do Egipto, foi encaminhada a julgamento nesta semana por acusação de operar um website sem licença oficial. O processo começou depois de mais de seis horas de interrogatório, durante as quais as autoridades egípcias a questionaram sobre a origem dos fundos, a estrutura editorial e a suposta ligação com grupos de oposição.

O Ministério Público egípcio alegou que a Mada Masr não possui licença de operação de mídia, o que, segundo a lei local, constitui crime. No entanto, a editora argumenta que a licença não é necessária para plataformas digitais que não distribuem material impresso. A situação tem gerado preocupação entre organizações de direitos humanos e grupos de imprensa, que veem o caso como parte de uma campanha mais ampla de censura e controle da informação.

A Mada Masr, fundada em 2014, tem sido uma voz crítica em relação ao governo egípcio, cobrindo temas como direitos humanos, corrupção e questões sociais. A editora tem sido alvo de múltiplas tentativas de fechamento e de bloqueios de acesso em redes sociais. A acusação de operar sem licença pode ser vista como uma forma de deslegitimar a plataforma e de intimidar outros veículos de imprensa.

A Lina Attalah, que tem 35 anos, tem defendido a liberdade de imprensa desde o início de sua carreira. Ela afirmou que a investigação foi motivada politicamente e que a acusação é uma tentativa de silenciar a crítica ao regime. A comunidade internacional, incluindo a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos, já pediu a libertação da editora e a revisão da legislação que restringe a liberdade de expressão.

O julgamento está previsto para a próxima semana, mas a comunidade de jornalistas e defensores dos direitos humanos tem pedido que o processo seja conduzido de forma transparente e que a editora seja protegida contra retaliações. Se condenado, Attalah pode enfrentar uma pena de prisão e a suspensão da Mada Masr, o que teria um impacto significativo na liberdade de imprensa no Egipto.