O Tribunal Supremo de Moçambique, em decisão publicada na manhã de segunda-feira, rejeitou o apelo de Venâncio Mondlane, ex-candidato presidencial e réu em processo criminal, que solicitava a transmissão ao vivo do seu julgamento na televisão e nas redes sociais. Mondlane, que enfrenta acusações de corrupção e fraude, argumentou que a transmissão garantiria transparência e permitiria ao público acompanhar o desenrolar do processo. No entanto, o tribunal considerou que a abertura do tribunal ao público poderia comprometer a imparcialidade dos juízes e a integridade do processo.

A decisão foi tomada após uma análise detalhada das normas de privacidade e de acesso à informação em Moçambique. O tribunal destacou que, embora a transparência seja um princípio fundamental, a confidencialidade do processo judicial é igualmente crucial para garantir que os réus recebam um julgamento justo. A transmissão ao vivo poderia influenciar a opinião pública e, por conseguinte, os jurados, se o caso fosse julgado por júri.

Mondlane, que já foi um dos principais nomes da oposição, tem sido alvo de críticas por parte de seus apoiadores, que alegam que o pedido de transmissão seria uma forma de expor o sistema judicial a pressões externas. Por outro lado, defensores da liberdade de imprensa argumentam que a decisão impede a população de ter acesso a informações relevantes sobre o seu sistema de justiça.

O tribunal também citou precedentes internacionais que limitam a transmissão de julgamentos em casos de alta complexidade ou sensibilidade. Em países como a França e a Alemanha, a transmissão ao vivo é permitida apenas em circunstâncias muito específicas, e mesmo assim, com restrições que garantem a proteção das partes envolvidas.

A recusa do pedido de Mondlane pode ter repercussões no debate sobre a transparência judicial em Moçambique. Enquanto alguns veem a decisão como um passo para proteger a integridade do processo, outros a consideram um retrocesso que impede o cidadão de acompanhar o funcionamento da justiça. O caso continua a ser acompanhado de perto por organizações de direitos humanos e pela comunidade internacional.