Alexia Latortue, que ocupa o cargo de Chefe do Secretariado da Coalizão do Futuro da Cooperação de Desenvolvimento e que já foi Secretária Assistente do Tesouro dos EUA, destaca em entrevista à série RootsToFoods Capital a necessidade de repensar o modelo de ajuda internacional.

Segundo Latortue, o sistema atual foi concebido no contexto da Guerra Fria, quando os países ocidentais buscavam influência política e econômica em África. Esse modelo, que ainda persiste, coloca os interesses dos doadores em primeiro plano, deixando de lado as prioridades dos beneficiários. Para mudar isso, a autora propõe que cada país desenvolva a sua própria folha de balanço, identificando as áreas de maior necessidade e definindo metas concretas.

A entrevistada enfatiza que a ajuda não está “morta”, mas que o seu potencial depende de como é estruturada. Ela cita exemplos de projetos que foram bem-sucedidos quando foram desenhados em colaboração estreita com governos locais, com participação ativa de comunidades e com mecanismos claros de avaliação de resultados. Para Latortue, a transparência e a prestação de contas são fundamentais para garantir que os recursos alcancem quem realmente precisa.

Além disso, a autora destaca a importância de alinhar a cooperação de desenvolvimento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ela argumenta que, ao integrar metas de saúde, educação, infraestrutura e inclusão social, os países africanos podem criar um ciclo virtuoso de crescimento sustentável. A abordagem proposta também prevê a transferência de tecnologia e conhecimento, permitindo que os países desenvolvam capacidades internas e reduzam a dependência de ajuda externa.

Em conclusão, Latortue convoca os governos africanos, os doadores e os organismos internacionais a adotarem uma nova mentalidade: a cooperação deve ser construída sobre as próprias visões e prioridades dos países beneficiados. Somente assim será possível transformar a ajuda em um instrumento eficaz de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, fortalecer a autonomia e a resiliência das nações africanas.