A falta de capital de risco em África é um problema que tem sido subestimado. Embora o continente possua abundância de recursos naturais e humanos, a maioria das empresas de impacto, especialmente nas áreas de cadeia fria, luta para obter financiamento.

Em uma entrevista à série RootsToFoods Capital, Kanini Mutooni, da Draper Richards Kaplan Foundation (DRK), descreve a trajetória de uma empresa keniana de cadeia fria desde o primeiro cheque da DRK até a busca por sustentabilidade financeira. O investimento inicial permitiu a aquisição de equipamentos, mas a empresa ainda enfrenta desafios de escala e acesso a mercados.

O Dr. Frank Aswani, da African Venture Philanthropy Alliance, explica que para que mais dez empresas sigam o mesmo caminho, é necessário um ecossistema de capital de risco que inclua investidores locais, fundos de impacto e políticas de apoio. Ele destaca a importância de modelos de negócio que combinem lucro e impacto social.

Além disso, a falta de infraestrutura, como redes de transporte e energia, aumenta os custos operacionais e dificulta a atração de investidores. A DRK tem trabalhado em parcerias com governos e empresas privadas para reduzir esses obstáculos.

Para superar esses desafios, é crucial que os governos africanos criem incentivos fiscais, garantam acesso a crédito de baixo custo e promovam a transparência nos processos de investimento. A colaboração entre setores público e privado pode criar um ambiente mais propício ao crescimento de empresas de impacto, assegurando que o continente não apenas tenha recursos, mas também o capital necessário para transformá‑los em prosperidade sustentável.