O presidente do ANC, Cyril Ramaphosa, está a ponderar a renúncia à presidência do partido, após o desempenho fraco nas eleições autárquicas de 4 de Novembro. O Sunday Times informou que pelo menos cinco membros seniores do Comité Executivo Nacional (CEN) do ANC afirmaram que Ramaphosa sugeriu demitir‑se, argumentando que as duas derrotas eleitorais consecutivas – nas eleições de 2019 e nas recentes autárquicas – demonstram a necessidade de uma nova liderança.
A derrota nas eleições municipais foi considerada um golpe de estado para o partido, que tem sido a força dominante na política sul‑africana desde o fim do apartheid. O ANC perdeu o controle de várias cidades importantes, incluindo o Natal e o Durban, o que enfraqueceu a sua posição de hegemonia e abriu espaço para partidos de oposição, como o DA e o EFF, ganharem terreno.
Ramaphosa, que tem tentado consolidar o seu poder dentro do partido, enfrenta críticas crescentes por não ter conseguido manter a coesão interna e por ter sido acusado de favorecer interesses corporativos em detrimento da população. A sua proposta de renúncia tem sido vista como uma tentativa de preservar a imagem do partido, mas também pode ser interpretada como um sinal de fraqueza.
O futuro do ANC permanece incerto. Enquanto alguns membros do CEN defendem a sua permanência, outros acreditam que uma nova liderança pode revitalizar o partido e recuperar a confiança dos eleitores. A decisão de Ramaphosa será crucial para a estabilidade política do país e para a forma como o ANC irá se posicionar nas próximas eleições.
Em meio a este cenário, a comunidade internacional observa atentamente as mudanças no cenário político sul‑africano. A estabilidade regional e a continuidade das políticas de inclusão social dependem em grande parte da capacidade do ANC de se adaptar e responder às demandas dos cidadãos.