A Tunísia, outrora vista como um modelo de transição democrática na África do Norte, enfrenta agora uma crise económica que ameaça desestabilizar o país. O desemprego, que já atingia 25 % em 2023, ultrapassou 30 % em 2024, sobretudo entre os jovens, que representam a maior parcela da força de trabalho.
Os serviços públicos, desde a saúde até à educação, estão a sofrer cortes orçamentários que resultam em falta de pessoal, equipamentos e materiais. Hospitais em cidades como Sfax e Bizerte relatam escassez de medicamentos essenciais, enquanto escolas em regiões rurais enfrentam a falta de professores e recursos didáticos.
O aumento dos preços de bens de consumo e de energia tem agravado a situação. O preço do combustível subiu 15 % no último ano, enquanto os preços dos alimentos básicos, como o pão e o leite, aumentaram em torno de 10 %. Esta inflação crescente reduz o poder de compra da população, que já se encontra em situação de vulnerabilidade.
O governo tem tentado implementar medidas de austeridade e reformas estruturais, mas a falta de apoio internacional e a resistência de setores sociais dificultam a implementação de políticas eficazes. A população tem protestado em várias cidades, exigindo empregos, salários dignos e serviços públicos de qualidade.
Apesar das dificuldades, há sinais de esperança. Organizações não governamentais e o setor privado têm investido em projetos de micro‑empreendedorismo e formação profissional, visando criar oportunidades de emprego e reduzir a dependência de subsídios estatais. No entanto, a sustentabilidade dessas iniciativas depende de uma política macroeconómica estável e de um compromisso real com a reforma do mercado de trabalho.